
Tratar
dos recursos hídricos em sua complexa relação direta e indireta com
cada um de nós é evidenciar que a conscientização é mais do que uma
simples variável perceptiva a ser instigada como uma argumentação
social de prioridades.
Constata-se
nestes últimos anos, talvez por questões culturais, que depois de
efetivada a polêmica discussão sobre a água, tudo parece ser esvaziado
e transferido para o acaso dos bastidores das prioridades públicas.
Refiro-me,
principalmente, quando observamos o baixo nível de eficiência nas
atividades práticas administradas por algumas competências imediatas e
diretas (prefeitura ou órgãos responsáveis por determinada localidade).
Divagaremos sutilmente sobre o reflexivo comportamento do aparelho Estado
como agente arbitrário.
Meu
questionamento parte: frente a atual cultura política, onde se nota
uma amistosidade ao agregado de estratégias nacionais que eu chamo de
“cenário das impressões”, será que chegaremos a ser considerados
conscientes da necessária sustentabilidade na utilização desse recurso
tão presente na atividade econômica e básica para o ser humano? Se, nos
tornarmos, em que ritmo e quando atingiremos o nível que possa ser
considerado adequado?
Em
outras palavras: evidenciamos em nosso amplo contexto sócio-econômico,
refiro-me a população científica e na sociedade em geral, uma percepção
e um sentimento de apreensão que podemos qualificá-los como
“amadurecidos” frente à degradação ambiental, incluindo-se aí, os
recursos hídricos.
Pergunta-se:
quanto aos responsáveis pelas decisões, não apenas referente as suas
elementares ações institucionais, mas também, pelas atitudes tangíveis
de caráter prático, até que ponto estariam “politizando” suas
argumentações e re-ações
para silenciar aquilo que, em suas crenças culturais básicas, qualquer
crise sobre a água ainda nada significa além de certos “rumores”? O
que podemos afirmar sobre um médico que se apresenta com um cigarro entre
os dedos, recomendando, ou melhor, conscientizando, os fumantes a deixarem
o vício? Não seria este um referencial exemplar de como a nossa
“conscientização” pode ser medida como sendo ou não, séria e autêntica?
Continuando:
os problemas das hidrelétricas que há tanto tempo foram evidenciados
pela comunidade científica e alertados pelos veículos de comunicação,
serviram de alguma forma para conter os blecautes? A política de segurança
pública a partir daquele seqüestro no ônibus 174 na cidade do Rio de
Janeiro, que instigou o Presidente da República a lançar
emergencialmente um “Pacote de Medidas de Segurança”, solucionou o
verdadeiro refrão da violência?
Agora,
aqui: qual seria o grau admissível de tolerância ao estarmos
expostos nesse turbilhão de tendências culturais políticas em relação
aos problemas hídricos que, facilmente, pode tornar a todos nós vulneráveis
a sérios problemas econômicos em relação ao nosso ideal de
abastecimento?
Complementando: Quanto à
percepção da sociedade, me refiro a das escolas, dos campos e das ruas
da cidade, não vejo dificuldade em vê-los instruídos quanto a
vivenciarem usos criativos dos recursos hídricos a fim de promovermos a
necessária sustentabilidade qualitativa e quantitativa de nossos recursos
hídricos. Mas, frente a esse comportamento social, parece ainda estar
faltando alguma coisa, talvez um caldo cultural mais convincente em termos
de atitudes políticas factuais... Ou talvez, um problema mais agravante
do que apenas “rumores” no problema das águas, para a partir daí,
conseguirmos politicamente evidenciar quem é o verdadeiro vilão da
insustentabilidade sem nada mais podermos fazer, a não ser é claro,
especular e investir em medidas emergenciais. Transformarmos por fim, o
vilão em mocinho...
Infelizmente,
creio que as variáveis predominantes contra os descompassos na utilização
e preservação dos recursos hídricos estão na luta contra as medidas
paliativas e refratárias do próprio governo, formado por tal cultura política
que busca enfatizar a subjetividade em suas atividades, para assim,
mitigarem problemas que conferem, nitidamente, caráter objetivo. Ou seja,
investe-se tempo e dinheiro em polêmicas e medidas que amenizam o que
podemos chamar de “necessidades psicológicas” da população, com
isso, esperam aumentar o volume de água nas torneiras e baratearem cada
vez mais o seu preço por m³ consumido.
Para fechar a discussão, basta verificarmos, por exemplo, o nível
de desperdício causado pelas tubulações das redes públicas de
abastecimento urbano e a desordenada urbanização em áreas restritas de
mananciais, isso sem entrarmos em outros descompassos reais (objetivos)
oficializados.
Responda-me:
Todas essas discretas evidências, entre outras mais que aqui não foram
mencionadas, não acarretam num bom motivo para imediatamente reclamarmos
por uma verdadeira conscientização? Ou devemos optar, emergencialmente,
por uma nova interpretação dessa palavra?
