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Concurso de Redação "Minha água, minha vida"
Realização
HIGISERVICE-Y.YAMADA - Dia Mundial da Água 2006

LARISSA
BARROS ALVES
7ª
Série do Ensino Fundamental
Colégio Madre Celeste (N.Marambaia)
Belém - PA
MINHA
ÁGUA, MINHA VIDA
Todos os dias acordo bem cedo para ir à escola. Tomo banho, escovo os
dentes, tomo meu café, escovo os dentes novamente. É um ritual diário.
Em menos de meia hora, utilizo, diariamente, naquele instante, algo que
a natureza nos deu, tão delicada, tão preciosa e tão vital: a água.
Paro
para pensar enquanto meu avô me leva de carro ao colégio. Cai uma
forte chuva no caminho. Logo, poças de água se acumulam no chão.
Grande parte fica por ali; outra parte corre pelas valas para os canais,
para os rios e, talvez, cheguem ao mar.
Aprendi
em ciências que o nosso corpo é constituído por mais de sessenta por
cento de água; que a Terra, de três quartos do mesmo líquido. Ainda não
sei por que puseram este nome no nosso Planeta.
A chuva já estava passando. O carro do vovô, em um grande
engarrafamento parou de funcionar. Saia muita fumaça do motor. Ele
falou para eu não me preocupar, pois ele sabia do que se tratava. Havia
esquecido de colocar água num tal de radiador. Perguntei para ele se o
carro dele não usava gasolina. Ele sorriu.
Depois me deu uma explicação.
Perguntei para ele: vovô, o que é que a gente faz na vida que não usa
água? Ele olhou para mim pensativo e respondeu, assim meio sem graça:
“nada minha filha”. Falei que era verdade. Tudo leva água. As
paredes dos edifícios não poderiam ser erguidas sem água. Para se
fazer o concreto, tem que ter água. As cidades dos homens nem
existiriam como o são hoje. E nem existiriam os lindos jardins e árvores,
os belos pássaros e animais, os mares, e rios. Meu Deus! Não existiria
a vida.
Chego à escola, despeço-me do vovô e vou para a sala de aula. Hoje
parece ser um dia diferente. Estou um pouco estranha, acho. Logo na
primeira aula do dia, não agüento a curiosidade e pergunto ao
professor se a água pode acabar um dia. Ele respondeu que não; que
toda a água passa por um ciclo de ida e vinda. O que pode acabar é a
água potável. Aquela que nós podemos consumir. Ele disse ainda que a
água doce representa apenas dois por cento de toda a água existente,
deixando-me muito mais triste. Não consegui segurar as duas lágrimas
que rolaram em meu rosto.
Enquanto
o professor dá a aula, sem perceber, eu saio dali, envolta em meus
pensamentos. É como se eu tivesse sido chamada para resolver um grande
problema: e se essa pequena porção de água acabar? Já se fez tanta
coisa como reuniões mundiais, regionais e locais, fóruns, acordos,
conferências, tratados e tudo mais. A poluição continua mesmo assim.
O mau uso continua, a indiferença continua e o suicídio continua
Eu
não quero fazer parte desta relação de pessoas indiferentes. Vou
bater de porta em porta e alertar aos meus colegas e vizinhos. A quem eu
puder. Vou começar por aqui, pela escola. Pedirei às pessoas que não
estraguem a água, ficando muito tempo com o chuveiro aberto; para que
avisem à companhia de água quando virem um vazamento; para que
reutilizem a água dos lavatórios para regar os jardins. Há tantas
coisas que se pode fazer com o reaproveitamento da água. Eu poderia
ajudar muito se fosse adulta e tivesse acesso a órgãos, instituições
ou pessoas. Mas o meu avô pode. Vou pedir para ele levar umas idéias
aos governantes. Seria possível a construção de um sistema, onde toda
a água que sai das casas para os esgotos fosse canalizada para um
grande reservatório e, dali, tratada e reaproveitada para outros fins.
A
verdade é que há muito desperdício. Sei que meu trabalho será árduo.
Haverá críticas e oposição.
De
repente, senti que o professor me chamava a atenção. Procurei voltar
à realidade. Logo agora que eu estava com tantas idéias e não posso
nem enumerá-las. Mas de uma coisa eu tenho certeza: o dia de amanhã
nunca mais será o mesmo para mim.
Termina o dia escolar. Já no carro do vovô toca uma música no rádio.
Ela é do Guilherme Arantes. Eu acho que o título é Planeta Água.
É muito linda e triste para mim. É uma música antiga que meu pai
sempre ouve. Mas quem tiver alguma dúvida sobre toda essa tragédia
anunciada, escute essa música. Pare e reflita sobre o tema. Tenho
certeza que este já será um bom começo.

Larissa
Alves Barros
7ª série do Ensino
Fundamental
Colégio Madre Celeste - N.Marambaia / Belém - PA |
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