MINHA
ÁGUA, MINHA VIDA
“Não posso
respirar, não posso mais nadar, a terra está morrendo não dá mais
pra plantar e, se plantar não nasce e se nascer não dá, até pinga
da boa é difícil de encontrar...”.
Este é o trecho de uma música gravada pelo saudoso Luís
Gonzaga, bem antes da Organização das Nações Unidas – ONU
proclamar, em 1992, a Declaração dos Direitos Universais da Água,
que em seu Artigo 2º assim diz:
“A água é a seiva do planeta.
Ela é a condição essencial de vida de todo ser vegetal,
animal ou humano... O
direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano”.
No Artigo 4º preconiza que “O equilíbrio e o futuro do
planeta dependem da preservação da água e dos seus ciclos” e,
no Artigo 7º: “A água não deve ser desperdiçada, nem poluída,
nem envenenada...”.
O grito de alerta na voz
do cantador é pertinente. Desde
o descobrimento ou ocupação do Brasil que as atividades econômicas
são prejudiciais ao meio ambiente, como por exemplo a exploração do
pau-brasil, derrubada de amplas extensões de mata para pastagens ou
monoculturas como cana-de-açúcar e café; e, hoje, extração de
madeira, assim como a expansão dos garimpos na Amazônia com uso
descontrolado de mercúrio. Resultado: sem vegetação os rios e
mananciais são condenados a desaparecer e, os que não desaparecem
por completo transformam-se em córregos poluídos ou mesmo
envenenados. Os dados são
alarmantes e preocupam, já que 80% dos esgotos do país e mais os
dejetos residenciais são despejados diretamente nos rios, mares,
lagos e mananciais.
Esse tipo de poluição
afeta diretamente a saúde da população com doenças como diarréias,
hepatite, febre tifóide, alergias, micoses, parasitoses intestinais,
etc. Segundo a Organização
Mundial da Saúde – OMS, mais de dois milhões de crianças morrem
por ano devido a doenças causadas pela água contaminada e, uma em
cada cinco crianças morre antes dos cinco anos por doenças
relacionadas à água. Na
conferência da Organização das Nações Unidas sobre o meio
ambiente, o documento chamado Agenda 21 afirma que 80% das atuais doenças
da humanidade e mais de um terço dos casos de morte se devem ao
consumo de água contaminada ou imprópria para o consumo humano.
O governo brasileiro
criou a Agência Nacional da Água – ANA, que tem como
responsabilidade implementar a política nacional de recursos hídricos,
porém há uma desconfiança de que é mais uma daquelas leis que vem
como fonte de arrecadação de impostos.
De qualquer forma, se o arrecadado for investido em saneamento,
despoluição de rios, reflorestamento de áreas degradadas, é uma
esperança. Aguardemos.
A União usa os
mecanismos de sempre. Faz
leis de proteção, tardia, mas faz.
E nós, como cidadãos, o que fazemos?
A quantidade de água no mundo é praticamente a mesma há
milhares de anos, mas o número de pessoas que vivem na terra aumenta
a cada dia, quer dizer, mais gente para a mesma quantia de água.
A Terra possui 1,4 bilhão de quilômetros cúbicos de água.
Desse total, 97,5% é água salgada.
Sobram 2,5% de água doce, tanto líquida quanto congelada.
Fora a congelada, sobram 0,26% de água líquida na forma de
rios, lagos e lençóis subterrâneos, ficando apenas 0,002% de água
própria para o consumo humano, que é justamente a que é renovada
pelas chuvas.
Um exemplo mais claro:
se toda a água da terra fosse dividida entre todos os habitantes,
cada pessoa ficaria com oito piscinas olímpicas cheias, porém se
dividirmos somente a água potável entre o mesmo número de pessoas,
caberia somente cinco litros para cada uma.
Não é um dado preocupante?
Claro que é. Mas também com atitudes bem simples é fácil evitar o
desperdício. Vejamos:
lavar o carro durante meia hora com mangueira, se gasta 215 a 560
litros; usando o balde, 40 litros; lavar calçada com mangueira
durante quinze minutos, 280 litros de água, usando a vassoura, um
quarto dessa quantidade; escovar dentes com a torneira aberta 12
litros, com a torneira fechada, 1 litro; enfim, até o vaso sanitário
em seis segundos despeja 10 litros de água, mas, se a válvula
estiver defeituosa pode triplicar essa quantidade.
A água é tão
importante que o nosso corpo contém 70% desse líquido.
A vida brota da água e
não podemos viver sem ela.