A
INCESSANTE DANÇA DA ÁGUA
O
conteúdo daquele último copo d'água que você bebeu, algum dia já
flutuou pelos ares, formou nuvens e despencou dos céus em forma de
chuva. Já esteve no fundo da terra, navegou por rios, afundou nos mares
e boiou como parte de algum iceberg.
Ao longo de milhões de anos, praticamente nada se
perdeu do estoque original de água do nosso planeta. A mesma água que
você já bebeu, está sempre sendo bombeada pelo chamado ciclo
hidrológico, iniciado quando o calor do Sol aquece a superfície dos
continentes e dos oceanos, fazendo com que uma parte das moléculas de
água evapore e suba ao céu. Além disso, ao transpirar, os seres vivos
também contribuem para a reserva de vapor da atmosfera. Em determinado
momento, esse vapor se condensa e volta à forma líquida, transformado
em chuva, cuja maior parte (cerca de 2/3), cai sobre os oceanos.
Graças às correntes marinhas as moléculas de água passeiam
entre a superfície e o fundo, numa viagem que pode durar 1.000 anos. O
restante, se não vai para os rios e lagos, infiltra-se na terra. No
subterrâneo, segundo o ciclo natural, o líquido precioso pode ficar
entre 200 e 10.000 anos, conforme a profundidade do lençol aquático,
até borbulhar em alguma nascente ou mesmo jorrar em um fumegante gêiser.
Nesse instante, finalmente, retorna à superfície para, depois de certo
tempo - alguns dias ou até milhões de anos - essa mesma água evaporar
e chover novamente; no Rio Jordão, no Oceano Índico, no telhado de sua
casa, ou na Represa que abastece alguma cidade!
E, quem sabe, saciar a sede de outro ser vivente...

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"AFOGAR A
SEDE" AINDA É MISTÉRIO
Um dos pequenos
grandes prazeres de todo ser humano é afogar a sede com um
refrescante copo d'água. A ciência, porém, ainda não sabe o que gera
essa satisfação única e imediata. "Provavelmente,
quando a mucosa da boca é umedecida e o estômago se dilata com o líquido,
receptores nervosos mandam sinais ao cérebro", suspeita a
fisiologista Frida Zaladek Gil, da Escola
Paulista de Medicina. "Mas devem existir
outros disparadores da saciedade", diz ela. No
entanto, desde os anos 50 a ciência conhece o processo pelo qual a sede
aparece, como um desejo urgente. "Existe uma enorme quantidade de sódio
dissolvido na água do organismo", explica Frida.
Ao se perder líquido -
pela urina, pelo suor ou ainda na forma de vapor, pela respiração -
aumenta a concentração desse mineral no sangue. O cérebro, ao notar o
excesso de sódio, manda a glândula hipófise produzir hormônios que
desencadeiam a sede. A água compõe 70 a 80 por cento do peso corpóreo
humano, chegando a 90% nos recém-nascidos, por causa de seu metabolismo
acelerado. Afinal, todas as chamadas reações bioquímicas dependem
desse fluído vital. É por isso que, se não houver a renovação do
estoque de água, o ser humano pode morrer de sede em até dois dias.
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"A LIQUIDEZ DO NOSSO PLANETA"
Na Terra devem existir
cerca de 12.872.000 quilômetros cúbicos de água fresca,
como os especialistas
preferem designar a conhecida água doce. Mas esse volume
impressionante corresponde a apenas 1/16 da sua reserva hídrica. Todos
os lagos, juntos, representam somente 0,01% da água do planeta; a
atmosfera não contém mais que 0,001% na forma de vapor e, finalmente,
todos os rios, somados, reúnem apenas 0,0001%...
É como se toda a água do mundo passasse por um
funil: existem 16 litros de água salgada para 1 único litro de água
fresca. Desta, 2,7 litros em cada 10 estão nas geleiras
polares. Resta ao homem, portanto, extrair água do subterrâneo, que
esconde 7,2 de cada 10 litros disponíveis. Ou então servir-se das águas
das chuvas, cujo volume representa duas meras colheres de sopa para cada
litro de água fresca da Terra. E ainda, com tanta
desigualdade na distribuição dessa água, toda preocupação ainda é
pouca!
“VASSOURA
HIDRÁULICA”
Na
condição de maior cidade do país, os problemas de São Paulo também
são enormes. Entre eles está o desperdício de água tratada.
Tentando minimizar o prejuízo, os engenheiros da Sabesp encarregados de
estudar o assunto, chegaram à conclusão de que uma das formas de
desperdiçar água é o procedimento que denominaram pelo curioso nome
de “vassoura hidráulica”.
Não
se trata de alguma novidade, ou mesmo de algum novo equipamento, mas sim
de um danoso costume cultivado por pessoas inocentes, comodistas e/ou
irresponsáveis, que consiste em “varrer” a sujeira das calçadas, pátios
e outros pisos, com o jato d’água de uma mangueira comum de jardim.
Pelo
que temos observado, essa prática está crescendo em Belém. A Cosanpa
poderia dedicar mais atenção ao assunto. A empresa possui pessoal
altamente qualificado para conseguir minimizar o desperdício, mas a sua
ação depende, apenas, de vontade política da sua diretoria.
Em
São Paulo, o engenheiro Paulo Massato, do setor de abastecimento de água
da Sabesp, afirmou que é possível reduzir 30% no consumo de água, com
apenas duas medidas simples e inteligentes: “não deixando torneiras
abertas ou pingando, e abolindo a vassoura hidráulica”.
Acreditamos
que isso interessa muito aos condomínios, tanto de Belém, quanto de
qualquer lugar.
O oceano tem
mais mistérios para os cientistas do que para os marinheiros: ainda se
ignora por que ele não fica cada dia mais salgado, já que está sempre
recebendo minérios.
A salinização
ocorre apenas em pontos isolados, como o Mar Morto, por não existir
escoamento para a água.
Mas, em
geral, inexplicavelmente, no mar encontra-se cerca de 30 gramas de sal
por litro. Na realidade, somente onze elementos químicos compõe 99,9%
dessa água que é considerada o mais complexo fluído de que se tem notícia.
"Entretanto, o
0,1% restante pode conter todas as substâncias conhecidas, até ouro
dissolvido!"
(Walkyria Lara - Instituto
Oceanográfico da USP
/ Super Interessante-out/90)
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"Não importa quantos neurônios
há no teu cérebro. Tente usar pelo menos uns trinta..."
( S. Silva ) |