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“O
LIBERAL” ENFATIZA OS PROBLEMAS DA ESCASSEZ DE ÁGUA
Temos
que enviar um voto de louvor ao diário paraense “O Liberal”,
que tem focalizado cada vez mais o crucial problema da escassez de água
no mundo. Através de suas matérias e reportagens o jornal tem contribuído
consideravelmente para a conscientização do público em geral,
especialmente quanto à necessidade de evitar o desperdício desse líquido
precioso.
Uma
nota distribuída pela France Press, publicada pelo O Liberal em 16 de março,
sobre o Foro Mundial de discussão realizado mês passado em Haia, com o
objetivo de sensibilizar a opinião pública e os dirigentes do planeta
sobre a escassez de água, que se agravará no século XXI.
O
Foro Mundial da Água agrupou três eventos, com mais de 3 mil
participantes em 86 mesas redondas e centenas de seminários.
Paralelamente, a feira-exposição na qual as agências da ONU e as
multinacionais do setor mostraram aos 30 mil visitantes, as suas
alternativas para abastecer corretamente de água os seis bilhões de
habitantes do mundo, que chegarão a oito bilhões em 2025.
Uma
conferência de dois dias, com ministros de Meio Ambiente ou de Recursos Hídricos
representando cerca de cem paises encerrou o Foro, com a adoção em 22 de
março, Dia da Água, de uma declaração de caráter geral e mais três
relatórios elaborados por órgãos patrocinados pelo Banco Mundial. O
primeiro, “Visão Mundial da Água”, redigido pelo Conselho Mundial da
Água, descreve a situação atual e faz uma previsão caótica para 2025,
se novas estratégias não forem adotadas. O segundo é um “Padrão de Ação”,
pela Associação Global da Água, que dá sugestões para mudar a situação.
O terceiro é um resumo preparado pela Comissão Sobre a Água no Século
XXI.
Os
três textos lembram que se não for adotada uma política de luta contra
a má administração e a contaminação da água, 3 bilhões de pessoas
estarão sofrendo as conseqüências da escassez de água em 2025. A
maioria dos países do hemisfério sul estará nessa situação e se
produzirão conflitos nas regiões mais áridas. Os países ricos, por sua
vez, não escaparão de conflitos regionais.
O
Foro de Haia “não é uma conferência diplomática,
e sim um foro mesmo”, declarou Aalt Leusink, um dos chefes do comitê
organizador, afirmando que o objetivo do evento não é realizar grandes
discursos e sim reunir o maior número possível de pessoas, para que a
gravidade dos problemas seja compreendida e o esforço necessário para
solucioná-los, seja aceito e praticado.
Quando
esteve em Belém, o ex-presidente e atual consultor da Vale, Eliezer
Batista, disse que a Amazônia tem a maior reserva de água doce do mundo.
Sua bacia hidrográfica é uma riqueza que precisa ser valorizada. Eliezer
citou um dado surpreendente: até chegar ao consumidor, um simples hambúrguer
terá absorvido, ao longo de toda a sua cadeia de produção, o
correspondente ao consumo de 700 litros de água.
(fonte: O Liberal) |
REUSO DAS ÁGUAS
SERVIDAS OU DESSALINIZAÇÃO?
Muito
já se estudou e divulgou sobre os meios de reutilizar as águas servidas
para fins menos nobres, ou mesmo sobre a dessalinização da água dos
mares, para fins de consumo humano. O problema não é a falta de
tecnologia para isso. Em lugares desérticos, tipo dos antigos kibutz em
Israel, em instalações piloto e outros, a tecnologia já demonstrou ser
capaz de transformar uma água de esgoto em água rigorosamente potável
outra vez. Aliás, de certa forma, esse milagre também é desempenhado
pela própria natureza, no conhecido ciclo hidrológico.
Mas
a natureza está começando a perder feio para o crescimento da densidade
demográfica, desvairadamente ambiciosa, que polui criminosamente o
ambiente, auferindo lucros imediatos, mas sem se preocupar com o bagaço
que sobrará para as futuras gerações...
A
vertiginosa velocidade com a qual nós, os chamados “seres inteligentes
e superiores”, estamos destruindo a natureza, não dá a ela o tempo de
se regenerar, ou ao ciclo hidrológico, de cumprir o seu papel.
Por
outro lado, enquanto o tratamento das águas superficiais para consumo
humano permanecer lucrativo, não acredito que haja disposição para
investimentos em redes públicas alternativas destinadas a fornecimento de
água menos cara, para lavagem de veículos, irrigação e tantas outras
finalidades que dispensam o uso de água de primeira qualidade. É incrível,
mas há pessoas que usam a mangueira de jardim como uma vassoura hidráulica,
para lavar a calçada com água clorada, fluoretada e analisada!
A
morte de três milhões e quatrocentas mil pessoas –metade são crianças-
a cada ano, vitimadas por doenças relacionadas com a água, parece não
doer na consciência da maioria, ao ponto de faze-las arregaçar as mangas
para tomar providências que minimizem esse quadro.
Mas
posso afirmar que, com a poluição crescente, o tratamento da água ficará
tão caro ao ponto de doer no bolso das pessoas. Então elas farão algo
sobre o assunto.
No
Brasil, a discussão sobre os recursos hídricos ainda está no início. O
país recebe muitas críticas internacionais relativas a esse assunto. Há
estimativas de que 50% das praias brasileiras estejam poluídas por
esgotos - quase a totalidade dos esgotos domésticos e industriais é
despejado, sem qualquer tratamento, nos cursos d’água -, petróleo ou
lixo tóxico. Não há programas de contenção, de controle do
crescimento urbano e da instalação das indústrias, da devastação das
áreas verdes nas margens dos rios e há uso abusivo de agrotóxicos.
Daquilo que plantamos, teremos a colheita. Mesmo que demorem, as conseqüências
virão. Preparem seus filhos.
"É
lamentável não poder enxergar, mas é abominável não querer enxergar."
( S. Silva )
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